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Estamos Só Polindo a Navalha? Repensando a UX de Desktop

Publicado em por Patrick Tavares · 3 min de leitura

Recentemente, assisti a uma palestra excelente do Scott Jenson no Ubuntu Summit 25.10 (sim, o futuro já chegou) que simplesmente sequestrou meu cérebro. O título já chega provocando: “Are we stuck with the same Desktop UX forever?”

Se você trabalha com desenvolvimento ou design, provavelmente sente que nos últimos 20 anos a gente só ficou “afiando a navalha”. O desktop, na essência, não mudou. E o Jenson, com o histórico de quem trabalhou na Apple nos anos 80, no Google e na Frog Design, foi lá e disse o óbvio que ninguém quer admitir: a era de copiar Apple e Microsoft acabou.

Assista ao vídeo aqui. Vale cada minuto:

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O Fim da Cópia

O ponto central do Scott é que Linux e Open Source passaram décadas “pegando vácuo” (aquela área atrás do carro de corrida) da Apple e do Windows. Era seguro. Se a Apple fez, estava validado, então GNOME ou KDE podiam adaptar.

O problema é que eles pararam de inovar no desktop.

  • A Apple tentou matar o Mac com o iPad (e falhou feio em produtividade).
  • A Microsoft está perdida tentando enfiar anúncios no menu Iniciar e tropeçou feio com o Recall.

Não tem mais ninguém para copiar. Se a gente quer que o desktop evolua, somos nós que vamos ter que pular no compactador de lixo (referência ótima que ele faz à Princesa Leia em Star Wars) e arriscar algo novo.

UX ≠ UI (E Por Que Isso Importa)

Uma parte que bateu forte foi a crítica dele ao termo “UX/UI”. O Jenson diz que odeia essa expressão “com a força de mil sóis”. E faz sentido.

Quando juntamos as duas coisas, reduzimos UX a “deixar bonito” (pixels). Mas UX é arquitetura, fluxo, entendimento do problema. Ele usa o conceito de “Learning Loops” vindo do design de jogos.

Diversão é só outro nome para aprendizado. — Raph Koster

Um bom desktop te ensina a usá-lo por meio de loops consistentes. O exemplo que ele dá sobre edição de texto no celular é cruel: tentaram copiar o desktop sem entender que um “clique” de mouse é completamente diferente de um “toque” na tela, onde o gesto de rolar tem prioridade. Resultado? Editar texto no celular continua sendo um pesadelo.

Pintando Fora das Linhas

O que mais me empolgou foram as ideias de protótipos que ele jogou para a comunidade:

  1. KDE Connect 2.0: E se a integração mobile-desktop fosse realmente perfeita, focada em Android (que é mais aberto) e sem tentar ser tudo para todo mundo?
  2. Super Windowing System: Não só mais um gerenciador de janelas, mas um sistema que entende fluxo de dados, histórico e área de transferência como uma coisa só.
  3. IA Local: Não a loucura corporativa de LLMs gigantes, mas Small Language Models rodando localmente, de forma ética, ajudando com seu contexto pessoal.

Conclusão

A palestra é um chamado à ação. Precisamos de menos “porteiros” dizendo que “usuários odeiam mudanças” e mais experimentação.

Ele cita o modelo da Ink & Switch: times pequenos, três meses de código intenso, um mês escrevendo um paper sobre o que aprenderam. Código aberto, aprendizado aberto.

Saí desse vídeo com vontade de prototipar coisas idiotas que talvez falhem, mas pelo menos tentem algo novo. O desktop é uma ferramenta de produtividade absurda que estamos negligenciando porque achamos que “já está pronto”. Não, não está.